O Lar Fabiano de Cristo completou 50 anos de existência em janeiro de 2008. É uma entidade de assistência social que, neste meio século, ajudou a mais de 600 mil famílias brasileiras (aproximadamente três milhões de pessoas) a se reinserirem ao exercício da cidadania. Atuando em todo o País, através de 57 Unidades de Promoção Integral (UPIs), o Lar Fabiano de Cristo trabalha ao lado de 152 outras organizações conveniadas – elevando o número de pessoas atendidas atualmente a mais de 80 mil indivíduos. Sua metodologia, ímpar na época da fundação, é hoje reconhecida internacionalmente, como atestam inúmeros prêmios nacionais no campo da assistência social. Mas a idade não mudou uma antiga característica da instituição: a vocação para espargir o bem. Há pouco mais de uma década, as empresas brasileiras vêm demonstrando preocupação com projetos sócio-ambientais, em positivos e alvissareiros exemplos da integração entre o capital e o chamado Terceiro Setor. Neste processo, uma parte do dinheiro das empresas é usada para promover e sustentar projetos sociais. Em 1960, porém, no Lar Fabiano de Cristo aconteceu exatamente o contrário: para sua manutenção, uma obra de ação social criou uma empresa. Era a Capemi, que surgiu no ramo dos antigos montepios e que, agora, se transforma na Capemi Instituto de Ação Social. Trata-se de um caso raro e talvez único no Brasil: um empreendimento mercantil é criado da costela de uma obra social – e não o contrário. Em 2007, por exemplo, a Capemi aplicou aproximadamente R$ 30 milhões no Lar Fabiano de Cristo, sem dúvida um dos maiores investimentos privados do País no setor social. Criado numa época em que assistência social era confundida com assistencialismo, o Lar Fabiano de Cristo já nasceu inovador: sua linha doutrinária defendia a integração social através da recuperação pela educação e pelo trabalho, tendo a criança sempre como foco principal. Embora essa filosofia seja consensual em contemporâneas entidades de assistência, tratava-se de um projeto avançado para 1958, ano de fundação do Lar Fabiano de Cristo. Seu Programa de Inclusão Social, desenvolvido nas UPIs, envolve um exclusivo Plano de Qualidade de Vida para cada família, de acordo com suas necessidades – metodologia que, em 2000, seria reconhecida pela Unesco e reproduzida em alguns países. Aos adultos são oferecidas oportunidades de reforço escolar e cursos profissionalizantes. Com as crianças, o cuidado é ainda maior: desde o início a preocupação do LFC era que meninos e meninas atendidos não fossem “institucionalizados” – isto é, cada vez mais vinculados à instituição em prejuízo de sua relação familiar. Neste ponto, o Lar Fabiano de Cristo atua como se uma escola fosse, de acordo com as necessidades de cada faixa etária. Noções de valores e compromisso com o bem fazem parte da rotina das crianças que, ao fim do dia, retornam às suas próprias casas. Da vida abaixo da linha da pobreza à reintegração social e à dignidade, a trajetória das famílias participantes está vinculada à sinergia da formação sócio-educacional sempre em sintonia com a unidade do núcleo familiar. A idéia de desinstitucionalização da criança é relativamente recente. Daí o caráter inovador do Lar Fabiano de Cristo, que adota esta prática desde a sua origem. A integração familiar – isto é, à idéia de que a criança não deve ser separada de seus pais apenas por motivo de pobreza – tornou-se consenso no campo assistencial ainda recentemente. E também é um mandamento do Lar desde seu início.
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