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Quintal da Casa de Ana

Fundado em 2000 por um casal de pais adotivos, o Quintal da Casa de Ana começou sem pretensão alguma de se tornar a instituição que é hoje. Os Doutores Sávio Bittencourt e Maria Bárbara Toledo, após vivenciarem o dia-a-dia da adoção, sentiram a necessidade de compartilhar e trocar suas experiências com outras famílias. Os encontros começaram a acontecer frequentemente no quintal da casa onde os dois moravam em Niterói/RJ, com seus filhos biológicos e sua filha adotiva, Ana.

Em pouco tempo, a idéia cresceu e o grupo foi aumentando. Pessoas que tinham curiosidades e dúvidas sobre o processo começaram a aparecer nas reuniões, assim como assistentes sociais que começaram a ouvir sobre as conversas que aconteciam no quintal da casa de Ana. A instituição adotou então sede própria e estatuto, passando a ser reconhecida legalmente em 2001.

Hoje, o Quintal é uma das organizações mais respeitadas na área e seu site na internet é referência nacional e internacional. A equipe técnica se dedica diariamente ao bem estar das crianças e adolescentes envolvidos nos projetos da casa, que atua através de 3 linhas de ação: “Apoiar e orientar as famílias adotivas e os pretendentes à adoção”, “Divulgar a nova cultura de adoção” e “Garantir o direito de toda criança à convivência familiar e comunitária”. Esses objetivos direcionam o serviço prestado por eles, mantendo sempre em mente que o mais importante no processo é a vida dos jovens ajudados.

        

Quem tem padrinho não morre pagão


Um dos projetos de maior sucesso é o Apadrinhamento Afetivo, em parceria com abrigos de Niterói e municípios vizinhos. A iniciativa, inaugurada em 2005, tem como objetivo proporcionar experiências reais de vivência familiar e comunitária a crianças abrigadas.  O padrinho tem a responsabilidade de estar presente na vida do afilhado,

Material de divulgação dos projetos do Quintal

trazendo-opara sua residência quando for possível, levando-o para passear,

apresentando-o  a seus amigos e familiares, enfim, englobando-o de uma maneira geral ao seu cotidiano com regularidade. “É um projeto de ação continuada. O padrinho deve entender que ele está assumindo um compromisso com a vida de uma criança e, mais, uma criança que já tem um histórico de vida bastante complicado”, explica a assistente social Karla Alevato.

Levando em conta que as crianças abrigadas já passaram por violência, abandono ou negligência, esse processo deve ser perfeitamente planejado para não prejudicar o desenvolvimento e nem causar frustração. Por isso, a idade mínima é de 8 anos, para facilitar a compreensão do papel desse padrinho. Embora até já tenha ocorrido, o objetivo não é a adoção, até porque, na maioria dos casos, a criança ainda está com situação pendente perante a lei, ou seja, inapta a ser adotada. Com um projeto tão delicado, torna-se evidente a excessiva cautela na escolha dos envolvidos. O candidato a padrinho passa por uma série de entrevistas e uma visita domiciliar com a equipe técnica do Quintal para, apenas depois, visitar algum dos abrigos parceiros em busca de um afilhado. Nessa triagem, muitos participantes desistem ao perceberem o grau de envolvimento esperado.

O Apadrinhamento Afetivo é um projeto muito inovador e importante, pois traz benefícios incalculáveis às partes envolvidas. “A gente tem observado que toda criança que tem padrinho tem auto-estima mais elevada, se sente mais segura, tem mais confiança nela mesma e melhora seu desempenho na escola”, garante a psicóloga Edna Orlando. Porém, mesmo tanta dedicação, a equipe técnica do Quintal às vezes esbarra em algumas questões burocráticas. É importante entender que cabe ao abrigo a liberação da criança, então, é preciso aprender a respeitar as normas de cada instituição para desenvolver uma boa relação e não prejudicar o processo. No fim, o bem estar da criança é o mais importante para todos os envolvidos e as vantagens que esse projeto oferece, são indiscutivelmente relevantes.

O convívio com o padrinho e a experiência fora do ambiente do abrigo, permitem que a criança desenvolva uma noção de individualidade pouco comum em crianças abrigadas. Elas estão tão acostumadas a viver no coletivo, que não exercitam o individual, que é extremamente vital para o desenvolvimento da personalidade adulta.

Edna e Karla sabem que todos podem oferecer sempre mais a quem precisa

O relacionamento com o padrinho faz essa criança 

perceber que “existe um mundo lá fora para ela conhecer além das quatro paredes do abrigo e que ela é capaz de se incluir nesse mundo”, defende Karla, e, com isso, “cria-se uma expectativa boa na vida dela”, complementa Edna.
A sintonia da equipe – que conta ainda com outros assistentes sociais, advogados e mais profissionais da área – é crucial para o bom funcionamento e o sucesso do projeto. Entrando agora no décimo ano de trabalho e no sexto ano de Apadrinhamento Afetivo, o Quintal da Casa de Ana está longe de ser apenas mais um grupo de apoio à adoção comum. É uma instituição disposta e aberta, que acolhe novos colaboradores e interessados todos os dias, não apenas no Apadrinhamento, mas também nos outros projetos, como os variados grupos de discussão. Para se informar mais, ligue (21) 2622-6968 / (21) 2613-2042 ou acesse: www.quintaldeana.org.br. Para contribuir em dinheiro, deposite no Banco Real (Ag. 0973 / Cc. 3012914).



A satisfação de servir compensa



Comentários
Luciana Moresque Saraiva
11/03/2010 – 14:19
Tenho muita vontade de adotar uma criança porém esta idéia ainda não está madura para o meu marido. Como a decisão tem que ser dos dois ainda não me habilitei. Mas gostaria de participar do APADRINHAMENTO isso é possível?
sabrina moura
08/03/2010 – 21:38
Oi gente! Eu tenho falado ao telefone com a sua assistente social. E, agora, eu acabei de ler sobre o projeto do apadrinhamento! Que ótima idéia! Posso me candidatar sendo uma pessoa comum? digo,,sem ter ido a vara da infância? muito obrigada pela atenção, Deus lhes abençoe, Sabrina.
Marli Osaida
07/03/2010 – 17:45
É gratificante saber que existem pessoas preocupadas com o bem estar das crianças que moram nos abrigos. Aqui em São José-SC, tambem tem um programa parecido, e tambem ajuda as crinças na convivencia social familiar. Muito bom! Abraços. Marli Osaida

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